Modelo das Quatro Tarefas do Luto Elaborado por Worden

2021-07-02

Modelo das Quatro Tarefas do Luto Elaborado por Worden

J. William Worden, PhD, ABPP possui um vasto percurso académico na Harvard Medical School e na Rosemead Graduate School of Psychology, na Califórnia. É membro da American Psichological Association; e co-investigador principal na Harvard’s Child Bereavement Study.

Dr. Worden é uma das autoridades mundiais no tratamento do Luto e na sua obra Aconselhamento do Luto e Terapia do Luto elaborou um modelo de quatro tarefas do luto, que considera ser útil para entender o respetivo processo, pois envolve confrontação e restruturação do pensamento acerca da pessoa que faleceu, da experiência da perda, e consequentes adaptações.

Worden é o autor mais consensual quando se fala das tarefas do luto, referindo que a pessoa enlutada deve concluir as mesmas, de forma positiva, durante o seu processo.

Tarefa I: Aceitar a realidade da perda:

A primeira tarefa do luto consiste em encarar a realidade de que a pessoa morreu, e de que não voltará mais. A aceitação da realidade da perda pode demorar algum tempo, pois implica, para além de uma aceitação racional, uma aceitação emocional, muitas vezes descurada pelos profissionais que acompanham a pessoa enlutada.

As crenças e descrenças podem dificultar esta tarefa, contudo, os rituais tradicionais, tais como os funerais, podem constituir uma preciosa ajuda para que a pessoa enlutada se posicione na direção da aceitação, progredindo nesta tarefa.

Tarefa II: Processar a dor do luto:

A segunda tarefa do luto consiste em elaborar a dor do luto, como a tristeza, raiva e culpa reconhecendo e trabalhando esse mesmo sofrimento, permitindo-se sentir e partilhar essa dor, que se pode manifestar no corpo físico, para além de afetar a vertente emocional.

Essa dor está tendencialmente associada à tristeza, mas os sentimentos de ansiedade, raiva, culpa, depressão e solidão também são sentimentos muito comuns, vivenciados pela pessoa enlutada.

Tarefa III: Ajustar-se a um mundo sem a pessoa falecida:

A terceira tarefa do luto consiste numa adaptação a uma nova realidade, em que a pessoa falecida não está presente e, segundo Worden, são três os contextos que necessitam de ser ajustados.

O primeiro corresponde a ajustes externos, com diferentes significados para cada pessoa, uma vez que depende da relação que existia com a pessoa falecida e com os papéis que a mesma desempenhava na logística diária, sendo necessário desenvolver, eventualmente, novas competências, e equacionar o que é que é preciso continuar a ser feito, e por quem.

Outro aspeto a considerar prende-se com ajustes internos, pois para além da pessoa enlutada necessitar de se ajustar a novas rotinas, também precisa de ajustar aspetos do próprio senso do self, como por exemplo a sua autoestima.

Outra área corresponde a ajustes espirituais, que se prendem com as crenças, valores e com as novas considerações sobre o seu papel e propósito no mundo, fundamental para obter uma reformulação de muitos aspetos do quotidiano, e um novo redireccionamento na vida.

Tarefa IV: Encontrar um lugar para a pessoa falecida, na esfera emocional, que permita à pessoa enlutada ficar conectado a ela, mas de forma a conseguir seguir o rumo da vida

A quarta tarefa do luto corresponde ao encerramento do processo, quando a pessoa enlutada abre um espaço emocional para novas pessoas e relações, como por exemplo os netos, mantendo a ligação ao seu ente querido, através das boas memórias, pois percebe que a abertura a este novo espaço não invade nem apaga a memória do ente querido e seguir com a vida não significa esquecer.

Worden conclui que as tarefas não são lineares, pelo que devem ser trabalhadas, de acordo com as necessidades individuais de cada pessoa enlutada, e podem ser, ou não, trabalhadas simultaneamente, dependendo da intensidade do sofrimento com que pessoa se depara. O importante é que seja um processo flexível e construtivo, tendo em conta a nova realidade.

Fontes:

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